miércoles, 30 de mayo de 2007

Memórias...

Encontrei alguns escritos antigos, que gostaria de registrar em algum lugar... Logo serao poeria em outras praias.


....................................................................................................................................................................


Há no breve espaço de mãos, todos os nãos que me conferiste. Há o ranger de dentes que manipularam as idéias; há o extrato de um fel em meu leito. Me perguntava, ociosa, quantas jornadas de luas e estrelas haverei de extirpar. Amor meu, vida minha, onde andas que não te vejo... Ancorada em teu porto, todas as manhãs, o sol vem rimar. Por que eu, voluptuosa e intacta, haveria de me entregar? Ventos, chuvas, tremores... deuses que vivem nos astros, nos mastros das naus perdidas, venham... arrastem-me para o cume dos olhos de meu bem amado, cego, que insiste em se ausentar. (04/01/ 2006)


...... Na chuva, lavando nossas maos de barro, desfaço você comigo: misturamo-nos a terra de onde viemos para nutrir novas plantas... - Promessas surgem naturalmente quando estregamo-nos um ao outro - Ao entrar o sol, nossas descomposiçoes sao compactadas: caem-se os frutos maduros sobre nós, e passamos a ser oposiçao; varre as folhas o vento, e repovoamos novos horizontes. (sem data, 2006.)


...... Dezembro amanhecendo fevereiro. Dezembro devorando minha umidade; teorizando promessas do que será, do que não foi antes, e do que provavelmente volverá a repertir-se... Nunca sendo, livro-te desta culpa; deste sentimento que levo de querer ser sempre sua. (sem data, 2006).


...... Manhã assimétrica plasmada de antigamente / Botoes de um velho casaco vestindo as horas passadas /Côncava esperança, convexa amargura / Filtro multi-faces, mosaico desconstituído de unidade / “mas vamos onde ninguém vai” / O aroma do café... ébrio sentimento de aconchego. / Me chamas para um café? /Ainda se o fizesse... que acrescentarias? / Veja, trago aqui: balsamo para as horas confusas. / Como todo bom remédio, a receita está nas brumas. / Pintando um quadro novo, no ontem e no hoje. / uso exagerado de floreados e motivos naturalistas (conchas, palmas, etc. )” / Na réplica das horas, somos outros em nós. Rosário de seres. (sem data, 2005)


.... Gostei das palavras... da sucessao das linhas... dos conjuntos... das retas que se interceptaram... das bifurcaçoes... das esquinas, nas margens... dos parágrafos que recobraram forças... das idéias que as mantiveram coesas... das imagens que elas despertaram em mim... da inocência azul do sonho sonhado... e... finalmente... gostei da mao que antecipou a escritura... da leveza do ser que as criou. (2005)


...... Frio... gélido ar que corta minh'alma. Noite azul, morte lenta que dissipa meu calor. Lua, leva-me para longe deste turbilhão de sentimentos, acalma... Na imensidão dos teus braços, amplifico minhas expectativas, querendo sumir do frio, da morte... Recostando-me sem medo em teus sonhos… Planos feitos de algodão-doce, de pedra-que-vai-ao céu, de amor colorido e límpido... Querendo a ternura no olhar...Desejando apaziguar aquela inquietude e ausência, ansiando acordar os sentidos já adormecidos... (2005)


....Entra a noite, mas o dia ñ esquece:... Latente, insiste em preencher espaços, e murmura, repetindo-se: existiu beleza naquelas tardes, sim existiu... Mas entao, o que virá?. Talvez os meses de chuva contínua, talvez os alísios, queiram retratarem-se, aportanto pinturas a nossa pele... Seria tao significativo se eles - todos eles juntos - tormentas, dias de sol, noites sem lua, fizessem de nós, bordados na relva escura! Transparência volumosa paira, evitando o sentir do vento. (2005)


....Mareante música que invade, magenta respiraçao embriagada com tocos de árvores, podadas, caídas pela insensatez. Pureza misturando-se com a cambaleante inocência. Flores que se apagam ao sorrir. Barcos de rotas velas, deslocando-se ao léu. Cais entre nós. Mórbidas cicatrizes que arrastam noites. Intocáveis libélulas, frágeis vôos. Inegável falta de serenidade. (25/09/2005)



.......Um beijo no escuro. O silêncio das aves. O aquário que contêm todos segredos. A cigarra que descansa à sombra esquecendo-se de cantar.Os musgos que abraçam os espaços, sem reservas, fazendo das cortiças, seu paraíso Uma gota de óleo que escurece a terra úmida. A ruela sem nome desvinculada de alarmes, de pedras-calçadeiras, de pés de adultos, de bolas de crianças... - Uma ruela sem nome desemparelhada pelas estaçoes, coberta por húmus: ácido e metálico, escancara sua sede de mundo. (22/set/2005)


....As horas diluíram-se através de seus olhos opacos de dor. As horas avançaram pelos seus cabelos e recobraram sentido nos poucos fios brancos dispersos... A vida já estava sombria quando cheguei. Tarde demais. Quando me viste, reconheceste prontamente a falta de sonoridade também em mim... Ganhando terreno, invadindo frestas, ampliando ausências. Ainda assim, me levaste em braços por estas ruelas sem nomes, fazendo florescer todas as veredas imaginárias... Preparei-te o manjar, ofereci o mais sublime em mim, e por um momento, jurei que nos encontrávamos: éramos o tudo no nada, por fim. 14/set/2005.


Detêm-te um momento: remove o véu que nos separa da realidade; colore a pluma branca com seu sorriso e atira-a ao mar. Faça-o enredado por todos os motivos: é a mesma manhã de sempre, frequentemente intangível para nós. Ave madrugadora, estende o olhar até aquela água, que corre divertindo-se: apaga seus limites abraçando as horas que fazes por florescer. Neste instante em que ‘não sou, nem és’, divide toda a tinta que restou. Tinge de mãos as mãos que ficaram. 13/set/2005.

No hay comentarios: