jueves, 31 de mayo de 2007

DESPEDIDA DEL MAR: Jose Hierro



Por más que intente al despedirme guardarte entero en mi recinto de soledad, por más que quiera beber tus ojos infinitos, tus largas tardes plateadas, tu vasto gesto, gris y frío, sé que al volver a tus orillas nos sentiremos muy distintos. Nunca jamás volveré a verte con estos ojos que hoy te miro.
Este perfume de manzanas, ¿de dónde viene? ¡Oh sueño mío, mar mío! ¡Fúndeme, despójame de mi carne, de mi vestido mortal! ¡Olvídame en la arena, y sea yo también un hijo más, un caudal de agua serena que vuelve a ti, a su salino nacimiento, a vivir tu vida como el más triste de los ríos!
Ramos frescos de espuma... Barcas soñolientas y vagas... Niños rebañando la miel poniente del sol... ¡Qué nuevo y fresco y limpio el mundo...! Nace cada día del mar, recorre los caminos que rodean mi alma, y corre a esconderse bajo el sombrío, lúgubre aceite de la noche; vuelve a su origen y principio.
¡Y que ahora tenga que dejarte para emprender otro camino!...
Por más que intente al despedirme llevar tu imagen, mar, conmigo; por más que quiera traspasarte, fijarte, exacto, en mis sentidos; por más que busque tus cadenas para negarme a mi destino, yo sé que pronto estará rota tu malla gris de tenues hilos. Nunca jamás volveré a verte con estos ojos que hoy te miro.

miércoles, 30 de mayo de 2007

Memórias...

Encontrei alguns escritos antigos, que gostaria de registrar em algum lugar... Logo serao poeria em outras praias.


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Há no breve espaço de mãos, todos os nãos que me conferiste. Há o ranger de dentes que manipularam as idéias; há o extrato de um fel em meu leito. Me perguntava, ociosa, quantas jornadas de luas e estrelas haverei de extirpar. Amor meu, vida minha, onde andas que não te vejo... Ancorada em teu porto, todas as manhãs, o sol vem rimar. Por que eu, voluptuosa e intacta, haveria de me entregar? Ventos, chuvas, tremores... deuses que vivem nos astros, nos mastros das naus perdidas, venham... arrastem-me para o cume dos olhos de meu bem amado, cego, que insiste em se ausentar. (04/01/ 2006)


...... Na chuva, lavando nossas maos de barro, desfaço você comigo: misturamo-nos a terra de onde viemos para nutrir novas plantas... - Promessas surgem naturalmente quando estregamo-nos um ao outro - Ao entrar o sol, nossas descomposiçoes sao compactadas: caem-se os frutos maduros sobre nós, e passamos a ser oposiçao; varre as folhas o vento, e repovoamos novos horizontes. (sem data, 2006.)


...... Dezembro amanhecendo fevereiro. Dezembro devorando minha umidade; teorizando promessas do que será, do que não foi antes, e do que provavelmente volverá a repertir-se... Nunca sendo, livro-te desta culpa; deste sentimento que levo de querer ser sempre sua. (sem data, 2006).


...... Manhã assimétrica plasmada de antigamente / Botoes de um velho casaco vestindo as horas passadas /Côncava esperança, convexa amargura / Filtro multi-faces, mosaico desconstituído de unidade / “mas vamos onde ninguém vai” / O aroma do café... ébrio sentimento de aconchego. / Me chamas para um café? /Ainda se o fizesse... que acrescentarias? / Veja, trago aqui: balsamo para as horas confusas. / Como todo bom remédio, a receita está nas brumas. / Pintando um quadro novo, no ontem e no hoje. / uso exagerado de floreados e motivos naturalistas (conchas, palmas, etc. )” / Na réplica das horas, somos outros em nós. Rosário de seres. (sem data, 2005)


.... Gostei das palavras... da sucessao das linhas... dos conjuntos... das retas que se interceptaram... das bifurcaçoes... das esquinas, nas margens... dos parágrafos que recobraram forças... das idéias que as mantiveram coesas... das imagens que elas despertaram em mim... da inocência azul do sonho sonhado... e... finalmente... gostei da mao que antecipou a escritura... da leveza do ser que as criou. (2005)


...... Frio... gélido ar que corta minh'alma. Noite azul, morte lenta que dissipa meu calor. Lua, leva-me para longe deste turbilhão de sentimentos, acalma... Na imensidão dos teus braços, amplifico minhas expectativas, querendo sumir do frio, da morte... Recostando-me sem medo em teus sonhos… Planos feitos de algodão-doce, de pedra-que-vai-ao céu, de amor colorido e límpido... Querendo a ternura no olhar...Desejando apaziguar aquela inquietude e ausência, ansiando acordar os sentidos já adormecidos... (2005)


....Entra a noite, mas o dia ñ esquece:... Latente, insiste em preencher espaços, e murmura, repetindo-se: existiu beleza naquelas tardes, sim existiu... Mas entao, o que virá?. Talvez os meses de chuva contínua, talvez os alísios, queiram retratarem-se, aportanto pinturas a nossa pele... Seria tao significativo se eles - todos eles juntos - tormentas, dias de sol, noites sem lua, fizessem de nós, bordados na relva escura! Transparência volumosa paira, evitando o sentir do vento. (2005)


....Mareante música que invade, magenta respiraçao embriagada com tocos de árvores, podadas, caídas pela insensatez. Pureza misturando-se com a cambaleante inocência. Flores que se apagam ao sorrir. Barcos de rotas velas, deslocando-se ao léu. Cais entre nós. Mórbidas cicatrizes que arrastam noites. Intocáveis libélulas, frágeis vôos. Inegável falta de serenidade. (25/09/2005)



.......Um beijo no escuro. O silêncio das aves. O aquário que contêm todos segredos. A cigarra que descansa à sombra esquecendo-se de cantar.Os musgos que abraçam os espaços, sem reservas, fazendo das cortiças, seu paraíso Uma gota de óleo que escurece a terra úmida. A ruela sem nome desvinculada de alarmes, de pedras-calçadeiras, de pés de adultos, de bolas de crianças... - Uma ruela sem nome desemparelhada pelas estaçoes, coberta por húmus: ácido e metálico, escancara sua sede de mundo. (22/set/2005)


....As horas diluíram-se através de seus olhos opacos de dor. As horas avançaram pelos seus cabelos e recobraram sentido nos poucos fios brancos dispersos... A vida já estava sombria quando cheguei. Tarde demais. Quando me viste, reconheceste prontamente a falta de sonoridade também em mim... Ganhando terreno, invadindo frestas, ampliando ausências. Ainda assim, me levaste em braços por estas ruelas sem nomes, fazendo florescer todas as veredas imaginárias... Preparei-te o manjar, ofereci o mais sublime em mim, e por um momento, jurei que nos encontrávamos: éramos o tudo no nada, por fim. 14/set/2005.


Detêm-te um momento: remove o véu que nos separa da realidade; colore a pluma branca com seu sorriso e atira-a ao mar. Faça-o enredado por todos os motivos: é a mesma manhã de sempre, frequentemente intangível para nós. Ave madrugadora, estende o olhar até aquela água, que corre divertindo-se: apaga seus limites abraçando as horas que fazes por florescer. Neste instante em que ‘não sou, nem és’, divide toda a tinta que restou. Tinge de mãos as mãos que ficaram. 13/set/2005.

Hoje a caixa dos segredos
desliza como língua
nesses vitrais densos
viscosos de ti.

Desconcertante carícia,
temporal digno,
morte insolente e avassaladora...

martes, 29 de mayo de 2007

Abstraindo




Na flor da tarde,
asas para uma borboleta
sedenta de céu.


Na noite nascida,
maos de perfume
marulhando no olhar ao revés...


Loucas horas desmembradas:
vermelho e névoa.






domingo, 27 de mayo de 2007

Quando...


O tempo nao importava, nem as coxas, nem as vestes.
O lento era alento, paz, lugar de iluminar.
As tardes sobreavam, espiralavam, criavam sentimentos.
O amor era criança contente, reluzente e calorosa.
A mao pousada em outra, abrigo, inspiraçao, som.
Quando a sós eramos também harmonia, sonhos, avenidas inteiras...

viernes, 25 de mayo de 2007

Tenho-te na palabra certa, na inocência da intenção. Tenho-te nesse olhar de ave, nessa cor de rama pendente da estação. Tenho-te assim, transcendente, feito lilazes no coração.
É porque tenho a ti que navego dentro, universo em costrução.
É porque sinto que me habitas que exito a outras bocas que de ti não o são.
Como poderia o desapego resistir a uma tarde azul de céu clareada?
Ah, "metade de mim", releva estas faces... Logo sou só outra, levando-te por novos mares.




Deslizando pela pele, o dia alcançou a memória, fazendo do momento um encontro de tempos, uma espécie de dança de seara. Das imagens das gaivotas que planavam no alto à planta que cresce agora, um rio de passagens esperançosas e a certeza de estar imersa em realidade. Os sonhos distantes, as surpresas dos sorrisos, os atropelos causados pelos prantos, a doçura das maos amigas que aos poucos se estreitaram, ... Foram estes os pequenos e grandes eventos, saltos e humus, que se assomaram a configuraçao presente. Da menina de ontem, de hoje, do par de idades em que sou figurante e platéia, esse amor transbordante... itinerante partícula calcárea que une, dá forma, reberberando o mundo.

miércoles, 23 de mayo de 2007



Com os acordes ao longe
imagens de ti,
e as ganas de rasgar o mundo.
(Nao, nao o mundo este,
senao aquele que nao nos pertencia.)

Amor,
tenho as palavras quebradas,
e tu o sabes bem.
Tentei consertá-las
com o mais criterioso cuidado,
mas nada...
O resultado foram estas ilhas
de um nós morto.
Tenho também um fantasma que diz
nao se importar com o tempo;
se compraz com migalhas de instrumentos
e calmarias,
- Como se o sossego fosse traço,
balburdia de timbres poucos-.

Outro dia te vi pela rua.
Era como se em meio a olhares de grito e ventania,
chamasses novamente.
Dizias-me em pensamento:
- Nao há nada mais para ser aquecido.
(Ah! Como gostaria ter lido sua mente, pois...
Teria mencionado essas névoas de romantismo
com que nascemos e morremos) .

Nao sei se notaste,
mas vou reduzindo minhas exigências.
Hoje já nem peço mais palavras.
Me contentaria com apenas uma letra.
Uma daquelas, sabes?
Uma feita de brilhos no ar.
Mas tu nao vens,
assim como eu também nao.
-Tu nao pensas em nada,
e eu ilusiono. -
Guardas meu cansaço contigo?
Olhas-me outra vez?
Sigo velando...

domingo, 20 de mayo de 2007

Andanças...


Vidro quebrado, argila moldável, dúctil metal, construçao. Erosionar das falenas, barca ancorada, imensidao das águas, ruir do coraçao. Frescor do fim de tarde, nascida do sol, hora que corre solta, enlevo da açao. Entrega, engano, acerto, definiçao.

miércoles, 16 de mayo de 2007



Frascos âmbar,
vidro de relógio,
fita tornasol,
receituário às cinco medidas.
Na bancada
vinga o tempo:
capacidade
de precisar inovaçoes em olhos já padronizados.
No lento titular,
difraçao de nossas estruturas em um comprimento de onda nada particular.