
Ah, nao dirás, por certo,
que nao te amei, que nao te sofri!
Foi-me a tua alma assim como um salao deserto
onde uma noite, me perdi.
Sobre o escuro tapete uma rosa morria
que deixara cair, sem pena a tua mao
Das cortinas, púrpura, a sombra estremecia...
Havia em cada espelho uma recodaçao.
- E era o meu coraçao ardente e dolorido,
sob a dor infantil que o endurecera já,
um velho piano adormecido
que ninguém mais acordará!
Um piano
faz sofrer a noite lenta.
Que estranha melodia,
de doloroso desengano,
vem pungir a minha alma sonolenta,
pelo doce amargor nostálgico desta hora?
Dorme ao fim de que rua a tua casa triste
onde a sombra que desce, agora, existe
como um olvido, sob o azul da noite fria?
- Será Chopin ou será tu quem chora?
Eduardo Guimaraes: A divina quimera.
que nao te amei, que nao te sofri!
Foi-me a tua alma assim como um salao deserto
onde uma noite, me perdi.
Sobre o escuro tapete uma rosa morria
que deixara cair, sem pena a tua mao
Das cortinas, púrpura, a sombra estremecia...
Havia em cada espelho uma recodaçao.
- E era o meu coraçao ardente e dolorido,
sob a dor infantil que o endurecera já,
um velho piano adormecido
que ninguém mais acordará!
Um piano
faz sofrer a noite lenta.
Que estranha melodia,
de doloroso desengano,
vem pungir a minha alma sonolenta,
pelo doce amargor nostálgico desta hora?
Dorme ao fim de que rua a tua casa triste
onde a sombra que desce, agora, existe
como um olvido, sob o azul da noite fria?
- Será Chopin ou será tu quem chora?
Eduardo Guimaraes: A divina quimera.
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